
Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco, Presbs. e companheiros mártires, Memória
26ª Semana do Tempo Comum - 03/10/2025 Sexta-feira (Ano C - Ímpar)
Conheça a história de Bvs. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro Presbs. e Comps. Mts., memória
Primeira Leitura (Br 1,15-22)
Leitura do Livro de Baruc
15Ao Senhor nosso Deus, cabe justiça;
enquanto a nós, resta-nos corar de vergonha,
como acontece no dia de hoje aos homens de Judá
e aos habitantes de Jerusalém,
16aos nossos reis, nossos príncipes e sacerdotes,
aos nossos profetas e nossos antepassados:
17pois pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos
18e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus,
que nos exortava
a viver de acordo com os mandamentos
que ele pôs sob os nossos olhos.
19Desde o dia
em que o Senhor tirou nossos pais do Egito, até hoje,
temos sido desobedientes ao Senhor nosso Deus,
procedemos inconsideradamente,
deixando de ouvir sua voz;
20por isso perseguem-nos as calamidades e a maldição,
que o Senhor nos lançou por meio de Moisés, seu servo,
no dia em que tirou nossos pais do Egito,
para nos dar uma terra que mana leite e mel,
como de fato é hoje.
21Mas não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus,
como vem nas palavras dos profetas
que ele nos enviou,
22e entregamo-nos, cada qual,
às inclinações do perverso coração,
para servir a outros deuses
e praticar o mal aos olhos do Senhor, nosso Deus!
- Palavra do Senhor
- Graças a Deus
Responsório ()
Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
1Invadiram vossa herança os infiéis, +
profanaram, ó Senhor, o vosso templo,
Jerusalém foi reduzida a ruínas!
2Lançaram aos abutres como pasto
os cadáveres dos vossos servidores;
e às feras da floresta entregaram
os corpos dos fiéis, vossos eleitos.
3Derramaram o seu sangue como água +
em torno das muralhas de Sião,
e não houve quem lhes desse sepultura!
4Nós nos tornamos o opróbrio dos vizinhos, +
um objeto de desprezo e zombaria
para os povos e àqueles que nos cercam.
5Mas até quando, ó Senhor, veremos isto? +
Conservareis eternamente a vossa ira?
Como fogo arderá a vossa cólera?
8Não lembreis as nossas culpas do passado, +
mas venha logo sobre nós vossa bondade,
pois estamos humilhados em extremo.
9Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! +
Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos!
Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
Evangelho (Lc 10,13-16)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus:
13Ai de ti, Corazim! Aí de ti, Betsaida!
Porque se em Tiro e Sidônia
tivessem sido realizados os milagres
que foram feitos no vosso meio,
há muito tempo teriam feito penitência,
vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas.
14Pois bem: no dia do julgamento,
Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós.
15Ai de ti, Cafarnaum!
Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno.
16Quem vos escuta, a mim escuta;
e quem vos rejeita, a mim despreza;
mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
- Palavra da Salvação
- Glória a Vós Senhor
Bvs. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro Presbs. e Comps. Mts., memória
Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.
No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.
Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.
A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.
Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.
Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.
Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.
Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.
Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.
Protomártires do Brasil, rogai por nós!
Fonte: www.cancaonova.com
