Por Leonardo Serafini Penitente
Católico, esposo e pai de três filhos. Mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e Advogado.
Existe uma acusação muito frequente, pelo menos entre os nossos irmãos protestantes, afirmando que Nosso Senhor Jesus Cristo não teria dado ao Apóstolo Pedro o privilégio de ser Papa e, com ele, o primado sobre a Igreja.
Dizem que o poder papal de Pedro, assim como o seu primado sobre toda a Igreja visível não tem fundamentação bíblica.
Vamos ver se, de fato, esta acusação tem razão de ser e, para isso, vamos fazer uso abundante de versículos da Sagrada Escritura que provam não só a intenção de Jesus, mas principalmente a sua realização concreta na entrega das chaves do reino para Pedro, a instituição do papado e o seu primado ante toda a Igreja.
Versículos bíblicos que provam a escolha de Pedro como chefe dos Apóstolos:
1. Cristo cria o Papado:
- Evangelho de São Mateus 16, 13 a 20.
13 - Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
14 - Responderam: Uns dizem que é João Batista outros, Elias outros, Jeremias ou um dos profetas.
15 - Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou?
16 - Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!
17 - Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
18 - E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
19 - Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
20 - Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.
O contexto é todo no sentido de um diálogo entre Jesus e Pedro. Jesus fala com Pedro. Existe diálogo, e não monólogo. Jesus, pelo contexto, não poderia se referir a Si mesmo quando fala que Pedro é a pedra na qual edificará a sua Igreja.
Do ponto de vista linguístico, “kephas” é termo em aramaico (língua em que o diálogo ocorreu e na qual certamente foi escrito o Evangelho de São Mateus) que significa “rocha”, “pedra grande”.
O aramaico não tinha flexão de gênero. Não tinha masculino, feminino ou neutro. Em aramaico, portanto, o versículo diz o seguinte: “Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”. Pedro e pedra são as mesmas expressões. Cristo chama Pedro de pedra e fala desta mesma pedra como aquela onde Ele construiria a sua Igreja.
Os protestantes, porém, contrariando não só o contexto, mas também o sentido gramatical, dizem que Cristo se referia a ele mesmo ou ao colégio apostólico. A pedra seria, para os nossos irmãos separados, ou o próprio Cristo ou o todos os Apóstolos, e não apenas Pedro.
Indo ao contexto, vê-se claramente que o Divino Redentor não dialoga com a coletividade dos Apóstolos, mas apenas com Pedro. Indo à linguagem, o termo aramaico foi repetido para Pedro e para pedra, dando clara indicação de que ambos são os mesmos naquela frase.
Ainda há outros elementos. Se continuarmos a leitura do versículo veremos que Jesus, logo após chamar Pedro de pedra, afirma: “eu te darei as chaves do reino”. Ora, está claro que o Divino Salvador se remete sempre a Pedro. Ele não daria a si mesmo o que ele já tem. Cristo está entregando um poder. A entrega exige bilateralidade.
Depois, diz o texto bíblico, Jesus se voltou para os discípulos... ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.
2. Cristo quer e institui o primado de Pedro:
Assim, se o Divino Amor se volta para os discípulos depois de ter dito tudo aquilo a Pedro, isto só reforça a ideia de que o diálogo era entre Cristo e Pedro, e não entre Cristo e Ele mesmo ou entre Cristo e o colégio dos doze apóstolos.
- Evangelho de São João, 21, 15 a 17:
15 - Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
16 - Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
17 - Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.
Jesus confia todo o rebanho ao Pedro, isto é, confia a Pedro a sua Igreja visível. Existe clara referência a uma escolha de autoridade suprema.
Pedro é encarregado de mandar e governar. “Amas-me mais que estes?”. Ora, esta pergunta ressalta que ele seria, para Jesus, não apenas um simples pastor, mas o chefe supremo.
- Evangelho de São Lucas, 22, 31 e 32.
31 - Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo
32 - mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.
Mais uma vez Nosso Senhor confere a Pedro o poder de governo e mando sobre a Igreja visível. Intercede especificamente por ele e confere a missão de fortalecer os discípulos.
Sobre o primado de Pedro, vejamos como o Espírito Santo nos releva, pela Sagrada Escritura, esta verdade tão patente:
- Pedro preside a escolha de São Matias, o discípulo que substituiu Judas (Atos, 1, 15);
- Pedro faz o sermão de Pentecostes (Atos 2);
- Pedro cura um aleijado em nome de Jesus (Atos 3, 6);
- Pedro confronta Ananias e Safira (Atos 5, 1 a 11).
3. Dois papas estão na Bíblia:
Os dois papas sucessores de São Pedro já referidos no Novo Testamento:
- Os 2 Papas que sucederam a São Pedro e que são revelados na Sagrada Escritura:
- São Lino (Timóteo, 4, 21). Foi um dos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Pedro o escolheu como sucessor.
- São Clemente (Filipenses, 4, 3). Nasceu em Roma em 35 d.C. Recebeu o batismo de São Pedro. Eleito Papa em 88 d.C. Foi ele quem instituiu o rito do sacramento do Crisma segundo São Pedro.
